domingo, 29 de agosto de 2010

As cores do dia

Os dias passam em vermelho nestas semanas de agosto. Vermelho do partido, vermelho do céu do fim do dia fitado com estranhamento quando fujo da redação. Há medo nestes momentos, receio de ser pego em um momento de ócio vergonhoso. Vou vivendo os dias assim: me escondendo, correndo pelas sombras, em minutos de paz nos banheiros com as calças abaixadas entre as pernas, com o cu suspirando um tédio mal ruminado em meio ao mal cheiro geral.

Mal ingiro esses momentos. A comida pesa na barriga, desce pela garganta intragável, sem gosto, sem alegria.Vou vivendo os próximos minutos percebendo assustado que eles passam e as horas passam e o momento passa e a vida passa sem nada ter sido feito, aprendido ou vivido. Nada, absolutamente nada progride. E todos os cantos da minha vida se enchem deste nada como se fosse um gás venenoso no ar, incolor, inodoro, insuspeito, corroendo as paredes das casas, as paredes dos pulmões, o interior de cada orgão, de cada instrumento, desgastando a sinfonia desafinada de cada canção.

Assim, cada um dos fumantes passivamente invenenados estão sucumbindo e eu continuo sem entender nada. Devo ser irremediavelmente estúpido. Apenas participo da dança mal ensaiada, fora do ritmo, fora do palco, fora da história.

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