Tenho os olhos apertados agora, cerrados contra a luz, contra o mundo, contra todos. Perco os minutos assim, meio cego, imaginando não ser ferido pela luminosidade do que não vejo. Perco o momento e assumo um mal ensaiado ar blasè - tão simplório e ingênuo - completamente desajeitado: sem saber pra onde olhar, onde colocar os braços, as mãos, o rosto, o corpo inteiro deslocado, retraído e pequeno, feio, ridículo, insignificante. Depois tudo passa, todos somem. Os passos passam, as conversas seguem outros assuntos; não os entendo mais, não os ouço mais, porém ainda estou fora do tempo/espaço. Não sou eu nestes momentos, sou alguma coisa hermética, sombria e fora deste mundo. Sou negação total: incompreensão. Espero um dia entender estes momentos em que permaneço alienado à margem de mim mesmo, completamente mudo, completamente tomado pelo medo de ser rejeitado. Permaneço assim aqui, ali, alienado.
Fotografia de Paulo Cesar

Nenhum comentário:
Postar um comentário