
Religião e homossexualidade são dois temas conflitantes na nossa sociedade e que frequentemente são debatidos apaixonadamente pelos seus partidários. Entre escândalos midiáticos e desconhecidas histórias particulares, os dois temas se entrelaçam dramaticamente de várias formas.
O filme Latter Days (2003), do diretor C. Jay Cox, debate sensivelmente a homossexualidade e a religião a partir do que as duas esferas mantêm em comum, o Amor. Sentimento capaz de aproximar pessoas e as revelar como iguais. A partir da perspectiva de Christian (Wes Ramsey), um gay que vive em festas, curtindo a vida, seduzindo homens e os descartando sem grandes problemas, a história se desenvolve questionando a falta de valores da juventude homossexual.
Christian vive em um condomínio em Los Angeles, e divide o apartamento com Tara, uma colega de trabalho que aspira seguir a carreira de cantora. Tudo permanece uma constante festa até que o jovem Elder Aaron Davis (Steve Sandvoss) chega com mais outros três missionários mórmons para se hospedar no mesmo condomínio.
O desprezo de Aaron pela sua promiscuidade e leviandade, leva Christian a uma crise existencial. É quando um amigo, portador de HIV, o convidada a ser voluntário em um programa que atende a doentes terminais de AIDS. Christian conhece Antony, um antigo produtor de TV que vivia uma vida de aparências, superficial e leviana até ser assolado pela AIDS e todos aqueles que ele considerava seus amigos afastarem de si. Essa nova amizade leva Christian a uma profunda reavaliação sobre o razão da vida, os motivos dos sofrimentos humanos, e o valor de uma relação construída no respeito mútuo e não apenas no sexo.
Fortemente arrependido pela aposta que assumiu, Christian parte em busca do perdão de Aaron. É quando o atrito inicial entre o casal se transforma em paixão, que quando descoberta pelos outros missionários mórmons gera graves conseqüências para Aaron, que deportado para casa, expulso da religião e renegado pelos pais, que o internam numa instituição para cura de homossexuais. O desaparecimento de Aaron mergulha Christian em uma profunda depressão.
O filme enfureceu os religiosos da Igreja de Jesus Cristo e dos Santos dos Últimos Dias, religião oficial dos mórmons, uma das comunidades religiosas mais conservadoras dos Estados Unidos e chegou a receber alguns boicotes de religiosos fundamentalistas. Entretanto, o filme se mostrou eficaz como uma mensagem por uma maior abertura da religião para com o amor homossexual e pela revisão dos valores de vida de uma juventude homossexual que rejeitada por instiuições, como a família e a religião, encontram-se sem referências abandonados a relações que muitas vezes provocam apenas a solidão.
Um contraponto a falta da presença da religião e da família, é uma nova família formada dentro do restaurante em que Christian trabalha, uma família formada pela amizade e solidariedade de pessoas que não se enquadram nos esteriótipos da puritana sociedade americana, mas compartilham entre si amor e respeito mútuos.
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