terça-feira, 1 de junho de 2010

Equilíbrio Flamenco

Criada em 1956, a Escola de Dança da UFBA é uma das poucas oportunidades de profissionalização existente no estado para amantes de uma nobre arte tão pouco valorizada no país. Em Salvador, sofremos, mais do que com a falta de bons e variados espetáculos de dança, com a falta de um maior público que lote a platéia para os jovens profissionais que todo ano se formam na Escola de Dança.

Todo o fim de semestre os alunos se reúnem em um dos auditórios da escola e convidam os amigos para assistir as apresentações de experimentos cênicos. Essa é uma das poucas oportunidades de apresentar o trabalho, fruto de todo um semestre de aprendizado, entretanto, são apresentações feitas para o limitado público das artes e da própria escola.

No semestre anterior, levado por amigas que estudam na Escola de Dança, tive a oportunidade de assistir a algumas dessas apresentações e fiquei absolutamente encantado. Sobretudo com a da aluna, Laura Pacheco, que acompanhada por uma assistente, apresentou um excelente experimento sobre a dramaticidade do flamenco com elementos poucos usuais.

A cena se iniciou sobre a meia luz do palco improvisado à frente do público que se espalhava pelo chão da sala e pelas paredes, como um formigueiro, expectadores atentos e embevecidos. Laura desenvolveu majestosa uma performance hipnótica e andrógina.
Em contraluz, trajada com camiseta branca e calça preta, a bailarina dançava calcando imponente os saltos sobre o tablado. Em rodopios repentinos e movimentos tensos, movia-se sonora pelo palco. Enquanto ao fundo, se utilizando de um projetor, a assistente desenhava lentamente, traço por traço, uma figura feminina. Era uma reflexão presente em todo experimento a construção de uma figura feminina, equilibrada por toda uma tensão de emoções.

Dois dos momentos mais empolgantes foram quando Laura subiu sobre a plataforma de madeira com rodinhas de rolimã e equilibrando-se sapateou, movendo-se de um canto ou outro do palco, equilibrando-se sobre a plataforma inconstante dos sentimentos humanos. A platéia vivenciava uma agonizante expectativa de que ela não caísse dali.

Depois, Laura vestiu uma longa saia rodada feita de bexigas negras de bolinhas brancas e rodopiou pelo palco, envolta pelas bexigas. O ritmo da música tornou-se mais forte e num ataque de fúria a bailarina estourou uma por uma das bolas livrando-se de toda a saia.

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