domingo, 24 de maio de 2015

Madrugada III

Frenquentemente permaneço acordado madrugada adentro, quase até o momento de amanhecer. É como se frente à tela do computador eu estivesse à procura de uma descoberta, que me recuso em realizar à luz do dia, nas ruas da cidade que me encanta e assusta: principalmente, mais aterroriza do que encanta. Volta e meia descubro alguma coisa nova, que não parece ser de nenhuma serventia para o meio em que vivo,  meio este mergulhado no debate econômico, político e social do meu país. Estranho é pensar que aqui dentro do meu quarto nada disso me interessa, há apenas a tentativa de satisfazer alguma necessidade muito abstrata e completamente desconectada com a realidade da vida. Às vezes esqueço de comer, nada bebo, mal vou ao banheiro. Deitado em minha cama, com o notebook sobre o colo, sou algum ser etéreo a navegar por uma realidade virtual, sem qualquer interesse de interagir com seres reais ou imaginários. Leio de quase um tudo, sem nem por isso absorver alguma coisa. Sou um filho do meu tempo, com um conhecimento um tanto vasto e nada profundo sobre ciência, filosofia, cultura, religião e política. De que me servirá conhecer sem viver?

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