Ele despertou, relutante de encarar mais um dia. Gotas de uma chuva fina dardejavam o vidro da janela escondida sob grossas cortinas que o preservavam da visão do apartamento dos vizinhos do prédio em frente. Detestava a sensação de não ter privacidade, sentia-se mais acolhido com janelas e portas fechadas no seu mundo escuro de 16m². Entretanto, o despertador já interrompia o incessante desfilar dos seus sonhos acordados, precisava realizar aquela ligação antes mesmo de sair da cama: o mundo não podia parar de girar só pela sua vontade de permanecer abandonado sob os lençois.
Levantou, algumas poucas ligações depois, a cama parecia ainda lhe convidar. Mais um dia, daqui a pouco já começam a me ligar. Não posso continar jogado na cama quando o celular tocar, pensou enquanto seus pés tateavam o chão de madeira. Olhou as mensagens no whatsapp, algumas pessoas já perguntavam por ele. Certo, rápido: banho, escolher algo para vestir, colocar algo no estômago - um copo de iogurte já dá, só o suficiente para o corpo não reclamar, calçar os sapatos, guarda-chuva, trancar as portas correr para o ponto de ônibus. Mantenha a rotina, o mundo não pode parar por causa de você, pensou. Mas, eis o engano de todos os dias: o mundo não vai parar por causa de você.
Na hora do almoço, acompanhado pela garoto do oceano de cabelos negros, mastigava calmamente a sua porção de alimento. Comentavam desinteressados sobre os companheiros, alguns amigos. Ela perguntou sobre aquele de óculos: "apareceu?". "Ah, sim, na terça-feira, como se não tivesse sumido durante uma semana", respondeu. "Eu gostaria de ser assim: de sumir e reaparecer como se nada tivesse acontecido", ela comentou. "Eu também, mas não consigo", disse olhando para ela enquanto pensava que se por acaso sumisse não saberia se reapareceria. Tudo segue razoavelmente bem, enquanto chove forte lá fora.
Levantou, algumas poucas ligações depois, a cama parecia ainda lhe convidar. Mais um dia, daqui a pouco já começam a me ligar. Não posso continar jogado na cama quando o celular tocar, pensou enquanto seus pés tateavam o chão de madeira. Olhou as mensagens no whatsapp, algumas pessoas já perguntavam por ele. Certo, rápido: banho, escolher algo para vestir, colocar algo no estômago - um copo de iogurte já dá, só o suficiente para o corpo não reclamar, calçar os sapatos, guarda-chuva, trancar as portas correr para o ponto de ônibus. Mantenha a rotina, o mundo não pode parar por causa de você, pensou. Mas, eis o engano de todos os dias: o mundo não vai parar por causa de você.
Na hora do almoço, acompanhado pela garoto do oceano de cabelos negros, mastigava calmamente a sua porção de alimento. Comentavam desinteressados sobre os companheiros, alguns amigos. Ela perguntou sobre aquele de óculos: "apareceu?". "Ah, sim, na terça-feira, como se não tivesse sumido durante uma semana", respondeu. "Eu gostaria de ser assim: de sumir e reaparecer como se nada tivesse acontecido", ela comentou. "Eu também, mas não consigo", disse olhando para ela enquanto pensava que se por acaso sumisse não saberia se reapareceria. Tudo segue razoavelmente bem, enquanto chove forte lá fora.
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