quinta-feira, 21 de abril de 2011

Madrugada II

Permaneço acordado mais uma madrugada. Tenho sono, como em tantas outras horas como essas que insisto em relatar tentando captar esse sentimento voraz de vazio faminto, que consome os minutos, os pensamentos e outros sentimentos maus elaborados.

Ouço O Quereres, de Caetano, e descanso, enquanto a luz da tela do computador dardeja o seu clarão sobre os meus olhos vermelhos. Perco um pouco desse desejo alheio de saber para onde vou. Perco a esperança sádica de que o acaso, por acaso, me traga um caso que encha este meu vazio de mar.

O que queres pobre e inútil coração? Sem ti, talvez eu fosse feliz e fosse eterno e constante e forte como as rochas. Teria talvez valor para o mundo dos homens, como um diamante, e fosse uma coisa que pertence a alguém ou lugar. Não seria este animal que vaga e que afaga a si mesmo em busca de calor.

Calor que nunca aquece, amor que nunca floresce. 




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