A dúvida é feita de tons de cinza. Surge com o esmaecimento das cores para a luz dos nossos olhos, a partir do gradual declínio da capacidade de distingui-las. Até que todas as cores se perdem nos contornos povoados por sombras de mal agouro.
Foto de Paulo Cesar
Afogo-me na escuridão dos meus olhos: estou submerso num acinzentado mar de dúvidas que, pouco a pouco, está destruindo a minha capacidade de compreender o mundo ao meu redor. Faço mil perguntas sem respostas, mas o cerne da questão, é que eu não conheço A GRANDE PERGUNTA. Perco as horas e dias tentando formulá-la:
O que eu estou fazendo da minha vida?
Essa luta diária que eu travo é minha? Ela me interessa?
Em que tipo de teatro bufo eu me enfiei, em que todos encenam uma tragicomédia de má qualidade?
Me entrego a um completo estado de confusão, tanto que canso-me só de pensar em pensar. Exasperado com os que me cercam, permito que as conversas sigam sem mim, sem minhas opiniões. Ora, que opiniões tenho eu sobre este raio de mundo. Encerro-me em minhas emoções.
Tudo em mim necessita de descanso, do descanso das pedras, que frias ou quentes, apenas se deixam ao dispor das intempéries do tempo. Quem dera eu ser duro como as elas. Se como pedras fosse, eu seria feliz.
Tudo em mim necessita de descanso, do descanso das pedras, que frias ou quentes, apenas se deixam ao dispor das intempéries do tempo. Quem dera eu ser duro como as elas. Se como pedras fosse, eu seria feliz.

Como pedras ou como gatos. Como humanos também, mas aí é mais difícil, exige talento pra coisa.
ResponderExcluirE eu mando beijos.