Não tenho nada a dizer e nem quero escrever. Apenas tenho fome. Tenho fome e não como, tenho fome e não posso comer, tenho fome e não há alimento. Não há alimento apenas para a minha fome. Escrevo por que tenho fome e não posso mais me saciar. Mas não é escrever o que quero, não é isso que alimentará o meu desejo. Se bem, que bem ou mal, escrevo o que quero e não quero. Mas eu desejo nada dizer, porque tenho fome de nada.
Estou a fugir de mim mesmo pra me encontrar, sem a esperança de que isso aconteça um dia. Isso não vai acontecer um dia. Nunca vai... Porque não tenho fome de nada. Não quero nada. Não sei o que é querer. E se quero o nada... então?! Eu não estou fugindo pra lugar nenhum, estou apenas sentado em frente a um computador com fome, sem parar de escrever o nada que existe em meu estômago - nada e porra nenhuma – pois, não gosto de ler, não gosto de poesia nem de prosa. Não me empurre essa bosta sem a esperança de que isso aconteça um dia – gostar. Não paro de escrever e de me repetir. Repetir porque tudo já foi dito, de todas as inumeráveis maneiras inteligentes de não se dizer nada. Mas, nada ainda foi dito por mim... Mas, mais uma vez, não estou a dizer, estou a repetir... E a repetição infinita, cruel e vazia, não vai parar por aqui.
Fome imaginária é o meu tormento.
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